31 dezembro 2015

2015: O ano em que quase morri!

Pare! Palavra que ousamos em evitar.

Você acha que sempre será aquela pessoa jovem. Acredita que vai morrer velho. Trabalha horas e horas. Aguenta a pressão do dia-a-dia e mais ainda, a pressão da vida. Quando se sente esgotado, trabalha ainda mais. Depois, quase dormindo em pé, ainda estuda para não ficar para trás. Se atualiza. Faz um esporte de vez em quando. Encontra amigos. Família. Pensa na vida. Sofre com perdas. Sente angústia de alcançar metas e objetivos ainda não alcançados. Sonhos que ainda são só sonhos. Ansiedade, nervosismo, medo.

O corpo fala e algumas vezes grita. É hora de diminuir a velocidade. Relaxar. Mas não, você aprendeu a querer sempre mais. Sabe que enquanto você descansa, perde um tempo precioso para aprender mais ou trabalhar mais. E então você continua. Achando que ainda é o mesmo. Que aquela dor nos ombros é passageira. Que aquela gripe é apenas um resfriado. Que o cansaço é falta de uma bela xícara de café. Que as poucas horas dormidas serão compensadas no fim de semana. Você continua. No fundo sem saber o realmente o motivo, mas continua. Acelerando e mantendo aquele ritmo alucinado.

A verdade é que gente nunca sabe quando é demais. 

Quando realmente precisamos diminuir? Quando precisamos ter menos informação? Quanto o nosso corpo consegue suportar?

Bum! Foi demais!

Medo, dor, risco, hospital, exames. Medo, medo, medo e mais medo ainda. A morte tocava a campainha.

Lembranças da vida era o que eu mais tinha na cabeça. A certeza que chegará minha hora era praticamente certa. Chorei. Tremi. Perguntei o porquê.

Sofri. Escapei. Sobrevivi.

Voltei pra casa. Voltei para o trabalho e saí.

O mundo gira, meu amigo. Você está em modo pause, mas tudo continua. E isso é difícil.

Depressão. Medo de novo. Pensamentos sobre a vida. Você passa a valorizar cada segundo da vida. Enxerga coisas que não via.

Fica ao lado da família e amigos. Ah! A família. Cada vez mais você sabe que ela sempre estará lá. Nunca abandona e sempre torce pelo teu bem. Os amigos você percebe que eles diminuem a cada ano. Você sofre por isso, pois acredita que todos estão ali por você. Afinal, caramba você quase morreu, era hora de ter apoio. Mas não, alguns simplesmente não estão nem aí. Nem foram te visitar no hospital. Não quiseram te ver quando você chamou (implorou) para fazerem algo quando você estava melhor. Não mandaram mensagem de melhoras. Nada! Cara, que insano isso. Você está depressivo e isso te afeta. Mas você quase morreu, então você sabe ver o lado bom da vida.

Então, você percebe que quanto menos, melhor. Quanto menos, mais fortes eles são. Você lembra dos que foram te visitar já no primeiro dia, os que foram durante a semana e os que souberam depois e te ligaram ou mandaram mensagem no mesmo minuto. Você lembra daqueles que fazem questão, torcem pelo seu bem e estão ali, sempre que precisar. Então, você ri e chora de alegria. Agradece.

Ah, meu amigo e como você agradece. Por ainda estar aqui. Por estar vendo o mundo girar. Por estar vivendo o que já podia ter acabado. Por estar vendo aquele pôr-do-sol espetacular. Mergulhar no mar. Por ter tudo o que você tem. Por simplesmente dar aquela gargalhada com as pessoas que sempre estão com você. Rir das coisas pequenas e mais ainda rir dos problemas. Cara, que loucura. Que vida linda! A depressão talvez tenha acabado ou pelo menos diminuído. Você aceita que tudo isso foi para o teu bem. Para você desapegar de coisas e pessoas que não te faziam bem. Você percebe que ganhou uma segunda chance pra viver. Pra aproveitar e valorizar as pequenas coisas e que o resto é resto.

Você percebe que não precisa o demais. Que diminuir o ritmo é necessário.

Pare! Olhe! Escute!

2015. O ano em que quase morri sobrevivi.

06 março 2014

Bateu Saudades.

Era janeiro. Começo de um novo ano. Novos desafios pela frente, porém aquela sensação de "já estive aqui" ou "já passei por isso". Eu tocava violão e cantava junto com todo mundo ali naquela sacada que você tinha medo de ficar. Talvez pelo vento forte que muitas vezes batia ou simplesmente por medo de altura. Praia, sol, verão. Ambiente alto astral, como sempre. Família reunida. Boas risadas e bons momentos. Lembranças. Essas sempre aparecem nessas rodas de conversas familiares. Avós tentando lembrar nossos momentos de criança. Pais contando para namorada o que aprontava. Enfim, sempre o assunto vai começar bobo. Uma piada ali, uma história engraçada aqui. Depois passa por política, futebol, religião, vira aquela discussão que ninguém concorda com ninguém e volta de novo para as coisas boas da vida.

Essas rodas de conversas são sempre divertidas, mas sempre quando batem numa tecla, doem.
Doem porquê você faz falta. É impressionante o quanto ainda choro quando lembro de você. Parece ridículo e idiota, mas eu choro.

E nesse dia não foi diferente. Um simples comentário de algo que você fazia e pronto. Lá estava eu, tentando me controlar. Em vão, é óbvio. 

É engraçado lembrar de ti. É uma mistura de alegria e tristeza ao mesmo tempo. De amor e ódio. De presença e saudades. Ah! E quanta saudades.

Parece que foi ontem que você mostrava o quão importante eu era para você numa simples chegada em casa. Aquela correria, as lambidas, os pulos. Parecia que você não me via há anos. E algumas vezes eu só tinha ido ao mercado por alguns minutos. Era magnífica essa sensação que você causava.

Você não falava, mas me ensinou muitas coisas que hoje me guiam na vida. Me ensinou a amar e a perdoar. Que quando a gente realmente ama alguém, não importa o que seja, nada vai derrubar. E que por mais que essa pessoa tenha magoado a gente, quando você ama, você faz de tudo pra ajeitar as coisas. Me ensinou o que é companheirismo. A parceria. Um amigo nunca abandona. Nunca está só nas horas boas. Um amigo está ali, sempre e ponto final. Me ensinou a aproveitar as coisas simples e boas da vida. Que alguns minutos deitado no chão com você, eram muitas vezes a melhor coisa do mundo para você. E quando a gente agrada alguém sem pedir algo em troca, nós temos o mundo inteiro aos nossos pés. Me mostrou que não importa o exterior de cada um. Quando a gente ama, a gente aceita todos do jeito que eles são. E que muitas vezes um pequeno defeito pode ser o que você mais gosta numa pessoa. Me ensinou como mostrar amor com um olhar. E que olhar você tinha. Era como se eu fosse o seu maior tesouro. Pois quando a gente ama alguém ou alguma coisa, a gente fica bobo e mostra no olhar. Me mostrou o que é ser sincero. Se você gosta ou não de alguma coisa ou alguém, você tem que saber dizer não. E que isso, muitas vezes, é a melhor decisão que se pode tomar. Por mais difícil que ela seja. Me ensinou que não se pode agradar todo mundo. Que quem está com você, está com você e pronto. E que esse pode ser um dos maiores problemas da vida. Que eu tenho que agradar quem me ama e me aceita. E não quem não está nem aí. Me ensinou que o maior valor de um homem está no seu caráter e não no que ele possui. 

E eu poderia escrever um livro de quantas coisas você me ensinou, e quão importante você foi na minha vida. O quão feliz você me fez. De quantas vezes você me tirou a tristeza do rosto. Ah, como você faz falta.

Por outro lado, eu também poderia escrever um livro da única coisa que você nunca me ensinou a lidar.

A saudade.








02 dezembro 2013

Quando cheguei a fim do poço e achei água.

Esgotado, esse talvez fosse o ponto. Não que não tinha mais forças e nem que tinha perdido a vontade de lutar, mas era cansaço que tinha ali. Daqueles que parece que mesmo quando você consegue relaxar, você parece cansar ainda mais. Cheguei a exaustão e era notável. O fim da linha. O ponto máximo de pensamentos negros e da baixa auto-estima. Insegurança, desconfiança e medo. Ah... e quanto medo. Talvez, não sei, nem foi tão claro assim. E, talvez, de propósito. Eu precisava ser forte ou pelo menos que parecesse que tudo estava bem. Falsos sorrisos em minha cara. Vontade mínima de socializar. Preguiça intensa para qualquer coisa.

Era um silêncio constrangedor por fora e uma vontade de gritar exorbitante por dentro. 

A noite era minha companheira. Das insônias fui amante. Dos dias fui espectador. Houve alguns que nem quis acordar. Tantos conselhos, tantas conversas, tantas coisas querendo me levantar. Mas nada. Nada me fazia acreditar. Tantos sonhos e tantos pesadelos. Tantas pessoas e ao mesmo tempo nem tantas assim. A verdade é que as pessoas já tem problemas demais para ouvir os seus. Insignificância. Um ser não quisto. Baixo astral. Comida, principal estratégia de combate. Barriga crescendo, principal inimiga. Falta de crença e fé. Paciência nula. Ansiedade era meu pós-doutorado. 

Essa fase se vive um dia de cada vez. Hora em hora. Minuto por minuto. E algumas vezes, segundo por segundo. 

Aqueles dias negros eram insuportáveis. O fundo do poço tinha chegado.
O mundo estava me derrubando, mais uma vez. 

Só faltou o mundo saber que o pouco que restava daquele rapaz depressivo era a criatividade.
Só faltou o mundo saber que eu não iria mais lutar e tentar sair do buraco.
Só faltou o mundo saber que eu iria cavar ainda mais.
Só faltou o mundo saber que eu entendi que cavando ainda mais, eu acharia água.


21 agosto 2013

Sempre foi.

Incerteza. Palavra que sempre nos perseguiu. Não por culpa de alguém, nem por brigas ou muito menos sentimentos. Aliás, sentimento é algo que sempre foi indefinido quando olhamos para tudo o que aconteceu entre nós. Como se fosse paixão versus paixonite, amor versus ódio. Mas um ódio no sentido bom - se é que existe lado bom em ódio. Nossas juras nunca foram convincentes o suficiente para ficarmos juntos. É estranho. É irracional. Simplesmente sem sentido.

Me pergunto o porquê de tantos devaneios. Do porquê de não estarmos juntos. É sempre aquela sensação e aquele frio na barriga quando cruzamos olhares. Aquela espera incessante de o namoro do outro acabar para ter uma chance novamente. Mas não, nossos términos não se encontram. Quando um termina o outro está namorando. E assim é nossa história. Desencontros. Medos. Lembranças. Saudades.

Saudades porquê esses dias a ficha caiu. Era quarta-feira, dia de sol. Sala de espera do médico mais demorado da cidade. Eis que uma senhora surge e puxa papo. Fala sobre a vida. Dos seus filhos e netos. Num certo momento ela me questionou o porquê de eu não estar casado. Afinal, na minha idade ela já tinha o terceiro filho. E eu não estar nem namorando confundiu o sentido da vida para ela.
Ainda mais afundo nessa questão, ela quis saber se eu já havia conhecido ou namorado alguma mulher que eu poderia falar: "é essa." Alguns segundos pensando em relacionamentos passados, e respondi que não. Um não, pois eu nunca senti nada tão grande por nenhuma ex-namorada. E hoje, eu tenho certeza que elas não me fariam nem um pouco feliz.
Ouvindo aquilo, ela deu uma risada e falou que achava que eu já conhecia a pessoa da minha vida. Ainda com uma cara de quem entende do assunto, perguntou se há alguma pessoa especial que eu não tenha me relacionado, mas que me causa alguma sensação estranha.

Um sorriso bobo de canto de boca, daqueles que não dá para esconder, surgiu. Como se fosse minha resposta final, aquela simpática senhora foi chamada para a consulta. No meio do caminho ela agradece a conversa e me diz para eu não perder meu tempo. Que a vida é construída em duas pessoas e não nas festas e mais festas por aí.

Caminhando de volta para casa, meu coração acelerou. As coisas sempre foram claras demais e a gente nunca tentou. Sempre do nosso jeito secreto de ser. Sem divulgar. Sem assumir nada.
E isso me incomoda. Saber que nunca tentamos de fato. De sempre saber que há um sentimento, mas nunca abrir mão e realmente tentar.

O que mais me dá agonia é ver a vida passando. Nossos corações se confundindo com namoros estúpidos. E nossa ilusão de que estamos certo ao pensar que não tentamos para não estragar a amizade. Tolos.
Aqui sigo sentindo o que sempre senti, esperando você notar o que você sabe. Esperando você perceber o que é claro. Esperando você aceitar o que aceitei:

É você. Sempre foi.

06 agosto 2013

Quando conheci o Seu Mário.

Eu sempre acreditei que a vida coloca pessoas certas no nosso caminho para cada ocasião. Para cada fase da vida. Momentos, viagens. É como se fosse necessário conhecer cada pessoa que conhecemos. Como se surgissem na nossa vida para dizer alguma coisa que esquecemos. Ainda que ela fique algum tempo convivendo com você ou apenas algumas simples horas.

Seu Mário era uma pessoa de aparência de mais idade. Cabelos grisalhos, óculos fundo de garrafa e um bigode branco. Eu trabalhava no banco e apesar de jovem, devia aparentar uma pessoa cansada. Era uma quarta-feira, início de mês. Só quem trabalha ou já trabalhou em banco sabe o que isso significa, agência cheia. Que significa, problemas para serem resolvidos. O banco, meu primeiro emprego de carteira assinada, me incomodava. Pessoas sendo grossas, palavrões e falta de respeito. Afinal, ninguém vai no banco para rir, vai para resolver problemas. Além disso, o banco contraria todas as minha ideologias e éticas de vida. Não estava feliz.

Faltando meia hora para acabar o expediente, surge na minha vida, Seu Mário. Um senhor que logo de cara simpatizei. Não sei porquê, mas sempre gostei de observar pessoas idosas e imaginar quantas histórias de vida eles têm para contar. Enquanto eu fazia alguns processos rotineiros para resolver seu caso, ele ia me contando da vida. Carioca, aposentando. Vive fazendo uma rotina de viagens há 4 anos. Fica 2 meses em Curitiba e 2 meses no Rio de janeiro. O motivo: filhos. Uma filha que mora no Rio e outro que mora em Curitiba. Assim, ele fica indo e vindo para ficar perto deles e de seus 3 netos. Nunca perguntei e ele nunca comentou de sua esposa, mas aposto que a história era boa. Resolvido o problema, Seu Mário agradeceu e disse que era a primeira vez que ele foi realmente bem atendido num banco. Aquilo na época me confortou e sempre que lembrava disso, eu tinha forças para continuar com meu caráter. 

Passados 2 meses, Seu Mário aparece novamente. Achei engraçado que um outro funcionário ofereceu ajuda, mas ele disse que queria ser atendido por mim. Aguardou os 15 minutos que demorei para atender outro cliente. Finalmente, veio em minha direção e disse: "Achei que não o veria mais por aqui." Eu sem entender o questionei. E ele me disse que eu não fui feito para o banco. Que eu transmitia uma energia muito boa, mas que minha aura estava negra por causa daquele lugar. Enquanto falava algumas coisas que me deixaram um pouco cauteloso com a situação, Seu Mário, comentou que era aposentando do banco. E que a pior fase da sua vida, foi exatamente o período em que trabalhou no banco. Em meio a conselhos dele e questionamentos meus, nos entendemos. 

Aquela conversa ficou na minha cabeça por vários dias e até meses. Me questionava todas as noites antes de dormir. Era tão notável assim a minha infelicidade? Minha vontade de jogar tudo para o alto e ir atrás do que eu queria? Não sei. Mas a única coisa que me passava pela cabeça era tentar entender como um senhor poderia saber o que eu queria, sem eu ter falado um "a" da minha vida e sem ter reclamado do trabalho.

Nunca mais vi Seu Mário e talvez nunca poderei agradecer a importância que suas palavras tiveram e que ainda têm na minha vida. Quem me dera poder sentar com Seu Mário e responder a última pergunta que ele me fez: "O que você prefere? Um trabalho que as pessoas tenham orgulho de você ou um trabalho que você tenha orgulho de si mesmo?"

Ainda lembro do seu caminhar devagar e tranquilo. E das palavras que me dirigiu enquanto passava pela porta giratória: 
"Espero não te ver daqui 2 meses."

E então, 2 meses depois, Seu Mário foi atendido por outro funcionário.


05 agosto 2013

Você falta.


Esses dias, então, me lembrei de você. Era uma tarde de sábado. O sol batia forte na praça. O som e o ambiente eram confortantes. Um show a céu aberto, pequeno, mas agradável pelas pessoas a minha volta. Na verdade, as minhas escolhas de companhias nos últimos tempos estão me fazendo bem. Sabe, os de sempre. As mesmas risadas, conselhos, carinhos, aquele calor e contato humano que você sabe que eu preciso. O vocalista da banda tentava agitar o seu público em meio as pessoas, enquanto uma criança loirinha pulava no ritmo das batidas da bateria. Era felicidade que tinha ali. Pessoas tomando seu sorvete, outras aquela cervejinha gelada. Era tudo simples e gostoso, do seu jeito. Eu sentado na grama conversando e me divertindo com amigos. Fazia tempo que eu não lembrava e não pensava em você. Mas aquele dia o meu escudo falhou, eu lembrei de ti. Nas nossas conversas e filosofias sobre a vida. Naquele show na areia em noite de céu estrelado. Daqueles beijos que só a gente sabia a sensação. Por um momento, eu nem lembrava da parte "dark" da nossa história. E acho que de propósito. Quando a gente precisa esquecer, a gente dá um jeito. Ou pelo menos fingi que não pensa. Mas aquele dia, eu estava pensando em ti. Me perguntava se você está bem. Se você está feliz. Era como se a nossa música estivesse tocando em meu ouvido: "Sempre que der, mande um sinal de vida de onde estiver dessa vez. Qualquer coisa que faça eu pensar que você está bem". Uma sensação estranha na barriga. Um vazio. E de repente, aquela tarde agradável se tornou um pouco agoniante. Meus pensamentos foram longe. Percebi que a sua falta é sentida. Que beijei algumas bocas procurando a sua. Que alguns carinhos não eram como o seu. E que tenho buscado você em outras. O primeiro gole de cerveja descia pela minha garganta. Um gole amargo. Amargo, pois é estranho essa sensação de saber o que falta. A certeza de saber que estou cercado de pessoas boas, mas que com você era tudo mais fácil. Penso que se fosse só o fácil, eu ainda me conformaria, pois eu nunca gostei das coisas fáceis. Mas com você era tudo mais simples também. E do simples eu sempre gostei. O simples, é minha ideologia. E isso, você sabe fazer como ninguém. A cerveja terminava, aquele último gole quente e que estufa. Como se fosse um soco na cara para eu acordar e voltar para minha realidade.
Realidade, a qual nossa história só existe na memória. E de memórias sigo lembrando e "rezando para um dia você se encontrar e perceber, que o que falta em você, sou eu."


10 junho 2013

Sobre uma segunda-feira "qualquer".

O dia amanheceu nublado, como de costume nessa época do ano. Uma segunda, como qualquer outra. Aquele começo de semana indesejado por metade das pessoas. Para mim, um dia qualquer, como qualquer outro. É isso que você sente quando você não tem mais nenhuma determinação. Monotonia. Um vazio imenso e a incerteza do que percorrer. Do que ir atrás. Do que lutar. Penso que um homem que não tem mais por o quê lutar, é homem perdido. E quando isso acontece, é tempo de parar. Parar, para se recompor. Tentar achar o que te falta. O que te faz feliz. O que te deixa bem. O que te deixa mal. O que te impede de ir para frente. O que te agrega e o que não. E é nessa hora que a vida costuma bater na porta e mostrar a cara. A verdadeira face. Desespero. Solidão. Um verdadeiro sufoco. Você descobre que aquelas pessoas que costumavam a te fazer bem, já não fazem mais. Você percebe sorrisos falsos. Você vê algumas coisas que te deixam agoniado. Percebe o rumo que estava indo. O quanto quer mudar. Mas nada, nada do que você faça vai dar certo. Você começa a se desentender com todos a sua volta. Você não é mais o mesmo. Você têm medo. Medo de pensar diferente. Você já não aguenta mais sair para fazer social. Não aguenta mais ver todo mundo enchendo a cara e fazendo festa. Você olha para tudo. Analisa tudo o que vive. E nada te agrada. Você percebe que sua vida é uma rotina. Um ritual. Então você começa a agir feito maluco. Tenta disfarçar essa agonia interior e deixa as coisas acontecerem, pois uma vez você leu em algum lugar que não se pode levar a vida tão a sério. Você ri. Se esbalda. Se diverte. E as coisas voltam a fluir. Engano. Você disfarçou sorrisos. Se submeteu ao que você critica e nem percebeu. E quando percebe, tudo fica assim, meio "down" de novo. Essa é sua vida. Você não tem como fugir. Você é apegado as coisas. Você nunca planejou nada e sempre espera algum milagre. As músicas fazem sentido. Você percebe como se identifica com algumas letras. Você sonha. Você acredita. Fingi que não há problemas e tenta pensar o lado bom de tudo. Você se lembra daquele amor antigo. Percebe que não entende como gostou tanto de uma pessoa que não era feita pra você. Lembra daquela paixão platônica que nunca deu certo. Lembra do amor de verão que você nunca esqueceu e sabe que sempre vai lembrar. Você arranja contratempos para não ver algumas pessoas. Você inventa esportes para tentar ocupar a cabeça. Lê artigos em blogs na internet. Fingi que sua vida anda bem na rede social. Coloca fotos dos bons momentos. E guarda pra si o que há de ruim. Nenhum amigo mais te ouve como antes. Todos são adultos e ocupados. Costumam usar a vida como desculpa. Mas aí você percebe que todos têm problemas e tenta acreditar que é esse o problema. Mas na verdade, você percebe que não. Você entende que as pessoas não estão mais tão preparadas para seus problemas. Elas têm os delas e é isso que elas querem se preocupar. Quando você fica triste com isso, você percebe quem vai continuar na sua vida atuando e quem será um espectador. É nessa hora que você entende quem estará do seu lado. Umas quatro ou cinco pessoas. Você olha seus quase mil "amigos" na rede social e lamenta. Mas no fundo entende que isso é bom. Essas quatro ou cinco pessoas estão com você e você não precisa mais que isso. Você quer mudar de cidade. Você quer conhecer o mundo. Um novo emprego. E até pensa em família e filhos. Você se preocupa e acha o mundo injusto. Você sente falta de um amigo que está longe. Você sente falta da escola. E aí você percebe que pensa demais no passado, muito no futuro e o presente vai passando. Desespero, de novo. Você não está vivendo como quis. Mas essa é sua vida agora. Você tem que aceitar. Você tem que continuar. Nem que seja pra sua rotina indesejada. Porquê no fundo você sabe que está no fundo, mas você também sabe, que você não quer ficar aqui. Você percebe que precisa de um caminho. Que não suporta essa rotina. Está na hora de mudar. Percebe que se não sair do lugar, nada vai mudar. E então você aceita. Aceita que a sua loucura interior é um passo para o que você sempre buscou. Que você precisava confundir sua cabeça a tal ponto para poder entender coisas que você não entendia e sofria por isso. Então você começa a sair das trevas, enxerga uma luz no fim do túnel. Percebe o quanto você é feliz com tudo que te aconteceu e tudo que permaneceu a sua volta. Sua família, seus quatro ou cinco amigos fiéis, seus medos e sonhos. Percebe que a vida é assim. Não existe loucura, não existe depressão. Existe amor e fé. Existe pensar e entender. Existe entender e agir. Existe algo a mais do que se conformar com o que te faz mal e fingir que não enxerga. E aí você percebe que desapegar de algumas coisas e algumas pessoas, por mais difícil e doloroso que seja, te faz bem. E então, você se da conta, que enquanto muitos continuam na sua rotina, você passou por uma fase incrível da sua vida. E que o que é bom e verdadeiro ficou ao seu redor mesmo depois da tempestade. E uma segunda-feira que parecia ser uma qualquer, foi a segunda-feira mais importante da sua vida.

02 maio 2013

Think or not?



- Maybe someday I´ll remenber these freaking days living inside on my mind. 
And maybe I´ll realize the time that I lost by thinking and dreaming too much. 
Or maybe I´ll living a better life because of this thoughts. 
But all of these "maybes" will just happen if I stop to think and start to act.

- What a mess!
- Yeah, that´s life!

(A conversation about life with a friend.) 13/04/2012




04 abril 2013

O nosso beijo.



Quando a gente se beija uma nuvem surge e nos leva ao infinito.
Um carinho estranho e gostoso nos envolve antes e depois.
Minha bochecha cola na sua, nossas peles deslizam uma na outra.
Minha mão envolve tua nuca te fazendo cafuné e causando arrepios.
A sua toca meu rosto e arranha em minha pouca barba.

A respiração é profunda e traz suspiros de prazer.
Os olhares se entendem, falam o que temos medo de afirmar.
Os corações batem devagar e rápido ao mesmo tempo.
O sorriso bobo nos contagia e traduz o que não admitimos.
Os abraços apertados e incansáveis aproximam o calor de nossos corpos.

Nossa bolha impenetrável que nos faz parar no tempo.
Um encontro de almas que nos deixa sem controle e sem razão.
A única coisa que consegue nosso silêncio em meio a tantas conversas e risadas.
Que nos faz esquecer a verdade que nos rodeia.
E que, por instantes, nos deixa viver o que não podemos.

O beijo, o domador de nossos medos.
A nossa paz encontrada em outro.
A nossa fuga da realidade.
O pouco, mas eterno, tempo que temos só pra gente.
O beijo, o nosso beijo.


29 janeiro 2013

Quando fui alugado.

Te encontrei na ventania que um dia te perseguiu,
Fiz prosa sobre a vida e te fiz sorrir,
E durante muito tempo você nem lembrou de quando caiu,
Te ensinei, teus males, subtrair.
Você me encontrou e me encorajou,
Me fez acreditar em mim e arriscar,
Tirou meus medos e me animou,
Me fez, meus sonhos, acreditar.

Então numa trágica sexta-feira de verão, a ventania retornou,
Dessa vez arrancando forças da pessoa que, um dia, te salvou.
E você fugiu, como se não pudesse viver no escuro outra vez,
Como se não fizesse sentido eu estar em minha sordidez.

Como num contrato imobiliário, eu fui alugado.
Válido, apenas, para os bons momentos.
Eu nunca li esse contrato,
Que era só mais um de seus documentos.

Quando você precisou, eu estive lá do seu lado.
Quando eu precisei, você rompeu o contrato.
Alegações e divergências.
Cláusulas e dívidas.

Você nunca entendeu minha camuflagem contra o mundo,
Meus medos e minha forma de agir.
Nunca entendeu que eu sou feliz do meu jeito e não obrigado a fazer como o seu.
Nunca entendeu que por dentro desse homem que encara o mundo, eu sou só um garoto que pensa demais.

Que te amou demais...
E que agora aprendeu fazer contratos de aluguel,
Com a cláusula que você não foi capaz de entender:

CLÁUSULA PRIMEIRA – DO CONTRATADO.

O presente contrato só será assinado pelo Contratado quando o Contratante entender que ambos estarão juntos nas alegrias e tristezas, e que, acima de tudo farão o possível para superar tal fase (a qual um dia acaba).